Sabe como nasce um “italiano moderninho” hoje em dia?
É quase uma receita pronta. Primeiro, capriche no ambiente instagramável: luz quente, plantas penduradas, uma prateleira com garrafas de vinho que ninguém nunca abriu e aquela parede com tijolos aparentes com frase em italiano que ninguém sabe traduzir — mas rende foto.
Depois, um cardápio cheio de nomes italianos, daqueles que fazem o cliente pensar que está pedindo uma obra de arte, quando no fundo é massa com manteiga e sálvia. Para finalizar, vista o garçom com um avental de couro, camisa xadrez ou uma boininha charmosa. Pronto: está inaugurado o nuovo ristorante italiano contemporâneo da sua cidade.
E o melhor? Com essa estética — e uma boa estratégia de mídia social — você pode vender um prato de massa a R$ 90sem culpa na consciência. A fórmula parece simples. E talvez por isso tantos apostem nela: porque hoje, para “bombar”, não basta cozinhar bem. Tem que performar. Tem que caber no feed. Tem que parecer mais italiano do que a própria Itália.
O problema é que, nesse teatro gastronômico, muita gente esquece que modelo de negócio não se sustenta só com parmesão ralado na hora e iluminação indireta.
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